Em dez anos, o Brasil terá reconhecimento internacional por parte da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como área livre da aftosa, sem vacinação, disse a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, nesta terça-feira (16/6).

Para que isso se concretize, no entanto, o país precisará fazer algumas lições de casa. “Em 2015 seremos considerados totalmente livres, com vacinação, depois, em 2016, seremos conhecidos mundialmente como livre da aftosa, com vacinação. Estamos no processo de inclusão de Amapá, Amazonas e Roraima, que são os únicos três Estados que ainda não estão nessa condição”, admitiu ela.
A Venezuela também está sendo considerada na estratégia do governo para conquistar o status no exterior. “Teremos de entrar lá [na Venezuela] e ajudá-los a montar um sistema de defesa, porque isso diminui o risco brasileiro com relação à doença.”

Prelisting

A expectativa é que o reconhecimento internacional ajude o país a conquistar novos clientes para a carne. A principal estratégia brasileira está na elaboração do que o governo chama de prelisting, que é a divulgação de empresas adequadas ao fornecimento do produto para determinados mercados.

Segundo a ministra, o Brasil está vivendo “o melhor dos mundos para as carnes”. A referência se deve a eminência de abertura de mercados como Estados Unidos, Japão e Rússia. “Já enviamos para a Rússia as empresas de lácteos e já estamos exportando sem nenhuma visita deles aqui”, destacou. As vendas de carnes processadas e não processadas para os Estados Unidos devem ser efetivadas nos próximos meses, projetou Kátia. “Já recebemos a missão americana e já fizemos a nossa para lá. Os técnicos brasileiros e americanos acreditam que até agosto iniciaremos as exportações”, afirmou Kátia, que se disse confiante também com a abertura do mercado japonês neste ano para carne processada, da carne kobe e para a manga.

Logística

Kátia Abreu falou ainda sobre a polêmica ferrovia bioceânica, projeto em parceria com chineses, cujo custo é estimado em mais de R$ 40 bilhões e que prevê a construção de uma linha de ferro que vai ligar o centro de produção de grãos do Brasil ao Pacífico, saindo de Lucas do Rio Verde (MT) até o Acre.

A ministra, que participou da reunião com representantes da do governo da China, disse que os asiáticos insistiram na formalização do acordo, mesmo depois de o Brasil alertar sobre todas as dificuldades da construção da ferrovia, desde os custos para construção e, posteriormente, do transporte, até as limitações geográficas. A maior delas é driblar a Cordilheira dos Andes.

“Fomos muito francos e eles encararam com naturalidade. Disseram que construíram uma ferrovia 80% mais complexa na Sibéria; estão empenhados em fazer o trabalho de articulação com países vizinhos ao Brasil [a ferrovia terá de atravessar o Peru ou Chile] e querem até junho do ano que vem ter estudo de viabilidade e um projeto básico”, afirmou Kátia.