As quedas de 1,77% no preço médio bruto e de 0,84% no valor líquido pago pelo leite em Minas Gerais ao longo de setembro, referente à produção entregue em agosto, interrompeu uma sequência de setes meses de alta, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Com a redução, a situação do pecuarista no Estado se complica, já que houve aumento dos custos com ração, energia, diesel, entre outros insumos utilizados na atividade. No Estado, o litro de leite foi negociado entre a média líquida de R$ 1 e média bruta de R$ 1,08.

A queda também foi observada na média Brasil, depois de seis meses de altas consecutivas. Na média composta pelos dados coletados em Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Goiás e Bahia, o valor líquido (sem frete e impostos) recebido pelo produtor recuou 1,2% de agosto para setembro, fechando a R$ 0,98 por litro. Na comparação com o mesmo intervalo de 2014, o preço está 9,9% inferior em termos reais (deflacionados pelo IPCA de agosto de 2015). O preço bruto médio (inclui frete e impostos) pago pelos laticínios e cooperativas foi de R$ 1,06 por litro, redução de 1,62% em relação ao mês anterior.
O principal motivo que levou à retração dos valores foi o aumento da captação. Em agosto de 2015, o Índice de Captação do Cepea (Icap-L/Cepea) teve alta de 4,62% em relação a julho e de 8% na comparação com agosto de 2014. Em Minas Gerais, a captação ficou 1,5% maior em agosto, frente a julho.
Em Minas, a maior queda entre as regiões pesquisadas foi verificada no Sul e Sudoeste do Estado. De acordo com o levantamento do Cepea, o litro de leite foi negociado a R$ 0,76, valor líqüido, o que representou uma queda de 4,17%. O preço bruto praticado no período foi de R$ 0,83%, resultado de uma retração de 4,3%.
Segundo o responsável pelo setor de coleta de leite da Cooperativa Regional de Produtores de Leite de Serrania Ltda (Corples), com sede em Serrania, no Sul de Minas, Manir José Gonçalves, a redução do valor pago aos pecuaristas acontece em um momento delicado para a atividade, que teve os custos elevados, principalmente pela desvalorização do real frente ao dólar e pelos reajustes nos preços da energia elétrica e combustíveis.
“Os produtores estão insatisfeitos com os valores pagos pelo leite já que os custos com ração, energia, combustíveis e vários outros insumos aumentaram. Nem mesmo os produtores que conseguem agregar valor ao leite estão recebendo preços suficientes para cobrir as despesas. Na nossa região de atuação, as perdas na cotação variaram de R$ 0,05 a R$ 0,10 por litro em setembro, frente a agosto. O pecuarista que entrega o leite com maior qualidade e recebeu mais pelo produto, R$ 1,03, ficou com prejuízo, já que o valor necessário para cobrir o custo deveria ser de R$ 1,05 por litro”, disse.
Ainda segundo Gonçalves, o acumulo de prejuízos impede que os pecuaristas continuem investindo no rebanho e na propriedade, o que afeta a qualidade do leite.
“A situação do produtor é bem complicada, porque ele não está em condições de manter os investimentos na propriedade e na qualidade da produção. O desafio atual é plantar o milho para fazer a silagem, uma vez que o custo dos insumos, como as sementes e os adubos estão mais caros, devido à desvalorização do real frente ao dólar. Eles vão plantar com preços elevados e sem garantia de que os valores a serem recebidos pelo leite cobrirão as despesas”, explicou.
A queda no preço do leite, segundo Gonçalves, tem dois principais motivos, o primeiro é o aumento da captação e o segundo a redução do poder de compra dos consumidores, que estão diminuindo os gastos e contribuindo para que a oferta de lácteos fique maior que a demanda.
Valor sobe na Zona da Mata e na RMBH
Na Zona da Mata, de acordo com o Cepea, o preço líqüido médio do leite avançou 0,77% ao longo de setembro, com a cotação chegando a R$ 0,94 por litro. O valor bruto, R$ 1, aumentou 0,71%. A alta no valor líqüido praticado na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), 0,56% fez com que o pecuarista recebesse em torno de R$ 1,05 pelo litro de leite. O valor bruto, R$ 1,16, ficou 0,53% superior.
No Triângulo Mineiro e Alto Paranaiba, o valor líqüido do litro de leite caiu 1,56%, com o produto negociado a R$ 1,09. Já o preço bruto, R$ 1,19, ficou 1,32% menor em setembro.
Retração também no Vale do Rio Doce, onde os pecuaristas receberam 0,73% a menos pela comercialização do leite, uma vez que o preço líqüido ficou em R$ 1,07. O preço bruto ficou 0,77% inferior, com o produto avaliado em R$ 1,18.
Para o próximo mês, a expectativa é de nova queda nos preços. Entre os compradores consultados pelo Cepea, 85,4% deles, que representam 93,9% do leite amostrado, acreditam em novo recuo em outubro. Apenas 14,6% dos entrevistados, que representam 6,1% do volume captado, sinalizam estabilidade para o mês.

 

 

Fonte: CRMV-MG